Em 2015, o Japão apresentou um trem capaz de atingir 600 km/h; dez anos depois, ainda não sabemos nada sobre ele


Em 2015, um protótipo de sete vagões no Japão despertou sonhos sobre as velocidades extraordinárias que os trens do futuro alcançariam, com o Japão na vanguarda. O trem da Série L0 atingiu 603 km/h na pista de testes de Yamanashi, tornando-se, na época, o veículo ferroviário tripulado mais rápido já registrado.
Mais de uma década depois, esse recorde permanece, embora a promessa de seu uso comercial ainda não tenha se concretizado. A linha que deveria levá-lo aos passageiros tem sofrido anos de atrasos.
Levitação magnética
A Série L0 opera utilizando levitação magnética supercondutora, empregando ímãs potentes ao longo dos trilhos e no trem que interagem para elevar o veículo acima da via, eliminando completamente o contato físico com os trilhos. Sem atrito, sem ruído mecânico, sem desgaste e com velocidades impressionantes.
O sistema é conhecido como SCMaglev e utiliza suspensão eletrodinâmica, diferente da usada no maglev de Xangai. A Japan National Railways iniciou a pesquisa desse tipo de propulsão em 1962 com um objetivo claro: conectar Tóquio e Osaka em uma hora. Eles perseguem esse sonho há mais de seis décadas.
Chūō Shinkansen
Esta é a linha de levitação magnética em construção entre Tóquio e Nagoya, com planos de extensão até Osaka. A ideia é que ela opere entre as estações de Shinagawa e Nagoya, com paradas em Sagamihara, Kōfu, Iida e Nakatsugawa. A linha não pretende substituir a lendária Tokaido Shinkansen, mas sim oferecer aos viajantes uma alternativa muito mais rápida.
A linha conectará Tóquio e Nagoya em 40 minutos e, posteriormente, Tóquio e Osaka em 67 minutos, a uma velocidade máxima de 505 km/h.
Atualmente, o Nozomi (o serviço de trem de alta velocidade mais rápido do Japão) leva cerca de duas horas e meia entre as duas cidades. Com o Chūō Shinkansen, a ideia é que aproximadamente 90% do percurso de 286 quilômetros até Nagoya seja feito por túneis, em vez de seguir a costa como a Tokaido. Essa decisão também é a raiz de muitos dos seus problemas.
Uma prefeitura e um rio
O principal obstáculo foi que o então governador de Shizuoka, Kawakatsu Heita, negou a permissão para perfurar um dos túneis sob os Alpes do Sul do Japão por razões ambientais. O argumento era que os estudos de impacto tinham sido conduzidos sem o rigor necessário e que as escavações poderiam afetar o curso do rio Oi.
O trecho em questão afetava apenas 8,9 quilômetros de túnel dentro de Shizuoka, mas foi o suficiente para paralisar todo o projeto por anos.
Sem esse trecho, o restante do projeto não poderia ser concluído. No entanto, o atual governador da região, Yasutomo Suzuki, autorizou a inspeção geotécnica preliminar, mas a construção continua.
Um cronograma repleto de atrasos
Em 2024, o presidente da JR Central, Shunsuke Niwa, descartou publicamente a inauguração em 2027 e estabeleceu 2034 como a nova data mais provável. Mas a história não termina aí. Em outubro passado, a JR Central adiou a inauguração para 2035. Os custos de construção já aumentaram mais de 50%, chegando a 11 trilhões de ienes (aproximadamente € 61 bilhões ou R$ 370 bilhões), segundo a RailTech. O trecho até Osaka, por sua vez, não seria concluído antes de 2037.
A ameaça da China
Em julho do ano passado, durante o Congresso Mundial de Ferrovias de Alta Velocidade realizado em Pequim, a estatal CRRC apresentou um protótipo de trem maglev projetado para atingir 600 km/h. O trem opera com rodas de borracha em baixas velocidades e passa a utilizar levitação magnética ao ultrapassar 150 km/h.
O Asia Times relata que ainda levará muito tempo até que ele possa ser usado comercialmente e que a demanda do mercado, mais do que a própria tecnologia, é o principal obstáculo.
Porém, há mais: o projeto T-Flight, da empresa estatal CASIC, que combina levitação magnética com tubos de vácuo em uma configuração semelhante à do hyperloop, já atingiu 623 km/h em testes realizados em 2024, com o objetivo de ultrapassar em breve os 1.000 km/h.
A China também possui, há anos, o único trem maglev em operação comercial no mundo: o Shanghai Maglev, que viaja a 430 km/h.
Imagem de capa | Maglev.net
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A notícia
Em 2015, o Japão apresentou um trem capaz de atingir 600 km/h; dez anos depois, ainda não sabemos nada sobre ele
foi publicada originalmente
Xataka Brasil
por
Fabrício Mainenti
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