O grande paradoxo da BYD: bateu recorde de vendas, mas o lucro despencou e acendeu o alerta vermelho na China


À primeira vista, os números da BYD parecem contar uma história de sucesso. A montadora chinesa vendeu mais carros elétricos que a Tesla, liderou o mercado global em volume e segue expandindo sua presença fora da China. Ainda assim, o balanço mais recente trouxe um choque: o lucro caiu 33% no terceiro trimestre, marcando o segundo período consecutivo de retração. Para muitos investidores, a conta não fechou. Para quem olha com mais atenção, a explicação está na estratégia.
A BYD entrou com força total em uma guerra de preços no mercado chinês, reduzindo valores de alguns modelos em até 30% para defender participação. A empresa, ironicamente, é uma das responsáveis por essa pressão, ao forçar concorrentes menores a acompanhar seus cortes. O resultado é previsível: mais carros vendidos, margens esmagadas. Segundo analistas do setor, o fundo do poço ainda não apareceu, e a recuperação dos lucros só deve vir quando a consolidação do mercado expulsar marcas menos eficientes.
Ao mesmo tempo, a BYD está gastando pesado para garantir o futuro. O investimento em pesquisa e desenvolvimento cresceu 31%, superando o lucro líquido da empresa pelo quarto ano seguido. Desde 2023, a chinesa também gasta mais em P&D do que a própria Tesla. Para o fundador Wang Chuanfu, não há dilema: tecnologia é o núcleo da vantagem competitiva, mesmo que isso custe resultados no curto prazo.
Essa conta fica ainda mais alta quando entra em cena a ambição internacional. A BYD deixou claro para investidores que pretende virar seu modelo de negócios até 2030, fazendo com que as vendas fora da China superem o faturamento doméstico. O problema é que replicar o modelo chinês de produção barata não é trivial em mercados com regras trabalhistas diferentes, exigências regulatórias mais rígidas e consumidores que ainda desconfiam da marca.
Os sinais são mistos. As exportações quase dobraram em volume até outubro de 2025, com Brasil, Bélgica e México entre os principais destinos. A empresa mira vender até 1,6 milhão de veículos fora da China já no próximo ano, um número ambicioso que reforça a tese de crescimento global. Por outro lado, as vendas totais começaram a cair no fim de 2025, levando a BYD a revisar para baixo sua meta anual, de 5,5 para 4,6 milhões de unidades.
Internamente, Wang atribui a desaceleração ao avanço dos concorrentes, que vêm reduzindo a vantagem tecnológica da empresa. A resposta da BYD tem sido atacar em todas as frentes: lançar mais modelos, investir em chips, software e baterias, e tentar controlar cada elo da cadeia produtiva.
No curto prazo, isso significa menos lucro. No longo, a empresa espera ganhar escala global para colher margens mais saudáveis depois. Agora o mercado segue se questionando: quanto tempo os investidores estão dispostos a esperar até que essa estratégia comece, de fato, a pagar a conta?
Crédito de imagem: Xataka Brasil
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O grande paradoxo da BYD: bateu recorde de vendas, mas o lucro despencou e acendeu o alerta vermelho na China
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João Paes
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