Beira a perfeição: testamos o Logitech G522 e o resultado surpreende


Quando um headset gamer chega prometendo conforto absoluto, bateria gigantesca, conexão sem atraso e um microfone com qualidade de estúdio, a reação normal é desconfiar. Geralmente, em algum ponto, aparece o famoso “mas…”. Só que o Logitech G522 faz justamente o movimento contrário: ele vai tirando as dúvidas uma a uma, com calma, como quem sabe exatamente o que está entregando. E o resultado, depois de algumas semanas de uso, é aquele sentimento raro de estar diante de um produto que entende o jogador, em vez de tentar impressionar com coisas que não mudam a qualidade final.
A primeira impressão é física. O G522 é leve — mas não leve “barato”. A estrutura combina materiais firmes com um design que distribui o peso de forma muito equilibrada. As conchas são grandes o suficiente para abraçar as orelhas sem espremer, e o tecido em malha respirável cria aquela sensação de “posso usar isso aqui por horas”. É um headset que você coloca para jogar rápido, passa três partidas, entra em uma call no Discord… e quando percebe, continua usando como se fosse natural. Em maratonas, isso faz diferença.
O arco com tira de sustentação ajuda, mas aqui entra um dos poucos detalhes que podem incomodar: os níveis de ajuste não são infinitos. Para a maioria das pessoas, tudo vai encaixar bem — mas quem tem cabeça diferente das possibilidades da tira, pode sentir que faltou um pouco de margem. Não é um problema grave, só um lembrete de que “quase perfeito” ainda não é perfeito.
E aí vem o som. De fábrica, o G522 entrega um perfil relativamente equilibrado, mas com graves que podem parecer tímidos. Não é ruim — longe disso —, só menos explosivo do que quem vem de fones mais “exagerados” espera. A boa notícia é que o software e o equalizador mudam esse jogo rapidamente. Com alguns ajustes nos Pro-G drivers, os graves ganham corpo, sem engolir médios e agudos. Em jogos competitivos, como FPS, a clareza de passos, recargas e posicionamento espacial é excelente. Em RPGs e jogos cinematográficos, trilhas sonoras e vozes ficam limpas, com uma separação que surpreende na faixa de preço (cerca de R$ 1000,00).
A experiência também é turbinada pela conectividade. LIGHTSPEED (a tecnologia sem fio da Logitech que funciona com macOS, Windows e PlayStation 5) continua sendo um dos melhores padrões do mercado: baixa latência real, sem quedas, sem interferências estranhas. É colocar o dongle, ligar e jogar. Se quiser alternar com o celular ou notebook, há Bluetooth (o que também faz o fone ser compatível com Nintendo Switch fora da dock). Se faltar bateria — o que é difícil —, dá para usar com fio, com o cabo USB que o acompanha. Essa flexibilidade muda o uso diário: o mesmo headset que você usa no PC vira fone para responder reuniões, ouvir música no celular e voltar para o jogo segundos depois — você só vai precisar tirar o microfone (e lembrar de onde o guardou) durante esses momentos. De novo: quase perfeito.
Falando em bateria: ela é incrível. Dependendo do brilho do RGB e do volume, o G522 passa fácil vários dias sem ver o carregador. Em uso moderado, ela fica no “carrego quando lembro”, não “preciso lembrar de carregar”. E como estamos falando de um headset sem fio, isso tira da equação uma das maiores dores: ficar preso na tomada na hora errada.
Mas o verdadeiro protagonista aqui é o microfone. É raro dizer isso sobre headsets gamer nessa faixa, mas o G522 entrega voz clara, consistente e praticamente sem aquela compressão “telefônica”. Em chamadas, streams e partidas, todo mundo percebe. Ele é destacável, como falei anteriormente, e não dobra para cima. Para alguns, isso é detalhe. Para outros, teria sido perfeito se tivesse uma forma mais prática de “sumir” com o mic.
Nem tudo é vitória total. As almofadas de tecido respirável ajudam no conforto, mas sacrificam isolamento. Se você joga em ambientes barulhentos, um pouquinho de som externo passa sim. E, de novo, os graves “de fábrica” pedem um carinho no EQ para mostrar todo o poder. Só que, quando tudo entra no lugar, o pacote se torna extremamente convincente — contando, inclusive, com algumas formas de som espacial e áudio 3D.
O RGB LIGHTSYNC é discreto, personalizável e conversa com o ecossistema Logitech — nada de carnaval gratuito. O software oferece perfis, ajustes e integração, sem travar a experiência e está disponível para diversas plataformas. Assim, o conjunto final entrega aquela sensação de produto pensado não para competir com fones audiófilos premium, mas para entregar valor ao gamer que também ouve música.
Depois de testar em diferentes cenários — shooters competitivos, jogos single-player, trabalho, música, chamadas —, fica claro por que o G522 beira a perfeição. Ele acerta nos pilares que importam: conforto, bateria, microfone e estabilidade da conexão. Os pontos negativos existem, mas são ajustes mais de gosto e detalhe do que falhas estruturais.
9
Prós
- Muito confortável, leve e com hastes que não cansam a cabeça em longas sessões
- Earcups em tecido respirável que evitam superaquecimento
- Microfone claro, excelente para call, stream e games competitivos
- Bateria dura bastante
- Diferentes formas de conexão
Contras
- Ajuste da tira de suspensão pode não se adaptar a todos os formatos de cabeça
- Microfone destacável não recolhe ou dobra para cima
Se você procura um headset sem fio que não custe o preço de um console, quer jogar sem fios e ainda soar bem nas chamadas (de trabalho ou no Discord), o Logitech G522 é um daqueles candidatos que entram na lista curta sem esforço. Ele não é o mais chamativo, não é o mais caro e, talvez por isso mesmo, acaba sendo uma das escolhas mais inteligentes do momento.
Créditos de imagens: Xataka Brasil, Logitech
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A notícia
Beira a perfeição: testamos o Logitech G522 e o resultado surpreende
foi publicada originalmente
Xataka Brasil
por
João Paes
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