Justiça do Rio manda prender ex-CEO da Hurb novamente após documento falso

O TJRJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro) decretou novamente a prisão de João Ricardo Rangel Mendes, ex-CEO da Hurb, nesta quarta-feira (7), após descumprimento de medidas cautelares.
A decisão é do juiz André Felipe Veras de Oliveira, titular da 32ª Vara Criminal da Comarca da Capital, e atende a um pedido do MPRJ (Ministério Público do Rio de Janeiro).
Desde agosto de 2025, o ex-CEO tinha obrigação de se apresentar à Justiça uma vez ao mês, usar tornozeleira eletrônica e de apresentar relatórios médicos mensais, pela alegação de problemas de saúde mental. Além disso, teve que entregar seu passaporte às autoridades e foi proibido de ter contato com testemunhas do caso.
MPRJ pede prisão de ex-CEO da Hurb após descumprir medidas cautelares
Em um primeiro momento, ele havia sido preso em abril de 2025, por furtar obras de arte de um hotel de luxo e de um escritório de arquitetura localizados na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. Veja as imagens:
Ex-CEO da Hurb é preso por furto de obras de arte no RJ; veja imagens
Na noite da última segunda-feira (5), João Ricardo foi preso novamente em flagrante no Aeroporto de Jericoacoara (CE). Na ocasião, ele tentava embarcar em um voo com destino a Guarulhos, na Grande SP, utilizando documentos falsos e com sua tornozeleira descarregada.
O MPRJ também notou que desde setembro de 2025, o réu havia parado de enviar os relatórios médicos mensais obrigatórios.
Após a prisão, o ex-CEO passou por audiência de custódia e teve a liberdade provisória concedida pelo TJCE (Tribunal de Justiça do Ceará), nesta terça-feira (6).
Ex-CEO da Hurb tem liberdade provisória cedida após audiência de custódia
No pedido da nova prisão preventiva feito também na terça-feira, o MPRJ entendeu que o episódio no aeroporto, junto à falta de apresentação de relatórios médicos, indica que o João Ricardo tem descumprido constantemente as medidas impostas pela Justiça.
Um relatório emitido pela SEAP (Secretaria de Administração Penitenciária), afirma que foram identificadas violações constantes das normas impostas, por parte do réu.
Segundo a pasta, as infrações incluem saídas da área permitida e o fato de João deixar a bateria da tornozeleira acabar, ficando incomunicável por até 27 horas consecutivas.
À Justiça, a defesa do ex-CEO afirmou que ele viajou em 29 de dezembro, portanto, não violou o limite de 30 dias de ausência da comarca. Além disso, sustentou que o desligamento da tornozeleira não foi intencional.
A defesa afirma, ainda, que o réu mantinha seu tratamento psicológico de forma regular. Na decisão de hoje, o juiz determinou a realização de nova perícia psiquiátrica com urgência.
Ainda não se sabe o paradeiro do réu, por isso a Justiça determinou que se o ex-CEO ainda estiver preso no Ceará, seja transferido de forma imediata ao Rio de Janeiro. Caso já esteja solto, a determinação é que seja expedido um ofício Polícia Marítima, Aérea e de Fronteiras para alertar sobre a nova ordem de prisão.
Quem é o ex-CEO da Hurb?
João Ricardo Rangel Mendes, de 44 anos, é o fundador da plataforma de turismo Hurb (anteriormente conhecida como Hotel Urbano), criada em janeiro de 2011. Sua trajetória à frente da empresa foi marcada por controvérsias, que culminaram em sua renúncia ao cargo de CEO em abril de 2023.
A saída ocorreu em meio a uma crise de imagem por reclamações de clientes sobre cancelamentos de reservas e problemas financeiros da empresa. A situação se agravou após acusações de que Mendes insultou e ameaçou expor dados pessoais de clientes insatisfeitos nas redes sociais.
Veja o perfil completo do ex-CEO
Além da crise de relacionamento com os clientes, Mendes e a Hurb foram convocados a depor na CPI das Pirâmides Financeiras por acusações de utilizar o dinheiro dos clientes como capital de giro e de não cumprir contratos. Eles não compareceram à sessão inicial da CPI.
Em 17 de abril de 2025, o Ministério do Turismo cancelou o cadastro da empresa no Cadastur, impedindo-a de operar no setor. A decisão foi motivada por denúncias de descumprimento contratual e um grande volume de reclamações de consumidores nas esferas administrativa e judicial.
Em resposta, a Hurb divulgou uma nota alegando surpresa com a medida do Ministério do Turismo, classificando-a como “mais política do que técnica”. Atualmente, o site da Hurb encontra-se fora do ar.
*Sob supervisão de Tonny Aranha



