Obsessão do Japão com a gestão de resíduos é tão extrema que separam o lixo em 45 categorias diferentes


No final da década de 1990, os mais de mil habitantes de Kamikatsu (uma pequena cidade na província de Tokushima, no Japão) se fizeram uma pergunta que mudaria suas vidas para sempre: “Por que geramos tanto lixo?”
A resposta os levou a se tornarem o primeiro município japonês a se declarar “lixo zero”, a vender latas de lixo e a fazer com que seus moradores separassem o lixo em 45 categorias diferentes. Eles então levam esse lixo por conta própria ao centro de reciclagem local.
Diante disso, só podemos fazer uma pergunta: Será que esses japoneses enlouqueceram? E a resposta não é “sim” nem “não”: é ambas as coisas ao mesmo tempo.
Por que estamos falando sobre isso?
Como costuma acontecer hoje em dia, tudo começa com um vídeo. Uma usuária do TikTok que mora no Japão (@nuriape_) mostrou como funciona o que parece ser um sistema de gestão de resíduos muito simples.
É realmente interessante: cada prédio tem sua própria área designada para lixo. A do vídeo é bem grande e, como ela explica, extremamente rigorosa. Além disso, uma parte significativa do processo é feita pelos próprios moradores: tarefas como lavar garrafas e colocá-las em recipientes separados para as tampas, ou dobrar caixas de papelão com cuidado, fazem parte do processo. A coleta, ao que parece, é diária.
Agora que o novo imposto sobre resíduos trouxe a gestão de lixo de volta ao debate público no Japão, a questão é… o sistema japonês, além de impressionante, é eficaz?
Como funciona o sistema de coleta de lixo japonês?
Desde 1997, a lei japonesa exige a separação de vidro, PET e papelão. No entanto, com o tempo, a situação se tornou cada vez mais complexa. Atualmente, as categorias de coleta variam de nove nos municípios com sistemas menos complexos a 45 em muitas áreas do país.
E não, não é opcional: se você não separar o lixo corretamente, ele não será coletado, ponto final.
Como resultado de quase três décadas de educação pública, o Japão é uma máquina bem azeitada quando se trata de logística de separação e coleta de lixo. O problema é que, bem, isso não adianta muito, porque coletar não é reciclar
Em comparação com a organização para a coleta, o Japão tem taxa real de reciclagem relativamente baixa: em torno de 20%. Em comparação com o índice de reciclagem no Brasil em 2025, de apenas 4,5% do total de resíduos sólidos urbanos gerados, o dado é surpreendente.
O sistema japonês prioriza a coleta diária segmentada, horários precisos e inflexibilidade logística.
Imagem | Jonas Gerlach
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A notícia
Obsessão do Japão com a gestão de resíduos é tão extrema que separam o lixo em 45 categorias diferentes
foi publicada originalmente
Xataka Brasil
por
PH Mota
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