Mundo

Irã direciona seus ataques no Ocidente para onde dói: infraestrutura de energia e centros de dados

Irã direciona seus ataques no Ocidente para onde dói: infraestrutura de energia e centros de dados

O Shahed-136, introduzido em 2020 e conhecido como “munição vagante”, há anos é a ponta de lança estratégica do Irã no Oriente Médio. Após o início da guerra contra EUA e Israel, o país passou a direcionar esses drones contra seus inimigos. Não contra bases, mas contra os dois pilares que podem causar mais danos ao Ocidente: energia e centros de dados.

Os drones Shahed não são como um DJI comum com explosivos: são drones com alcance de até 2.000 quilômetros, ideais para realizar ataques de forma muito eficaz. A chave está no preço: eles são lançados em grande quantidade e, mesmo que muitos sejam interceptados, o custo dessa interceptação é extremamente favorável para o atacante. Estima-se que um drone custe cerca de 20.000 dólares, enquanto um míssil interceptor médio custa entre 300.000 e 400.000 dólares. Essa relação está fazendo com que até os EUA passem a utilizá-los.

E são esses drones, e suas variantes, que o Irã está utilizando para atacar infraestruturas críticas. Porque não precisam atingir diretamente os alvos: basta cair perto ou simplesmente representar a ameaça de que podem alcançar essa infraestrutura-chave. Um exemplo é Ras Tanura. Trata-se de uma das maiores refinarias de petróleo do mundo, que teve que fechar suas portas na última segunda-feira.

A Aramco (a proprietária) tomou a decisão depois que restos de drones interceptados caíram perto das instalações na Arábia Saudita. Isso provocou uma crise no mercado do petróleo, com o barril subindo de preço de forma meteórica e com um grande número de navios cargueiros amontoados no estreito de Ormuz.

Centros de dados

Na era da IA os centros de dados também se tornaram uma infraestrutura vital. É por isso que essas instalações também estão na mira de um Irã que atacou, diretamente, duas instalações da Amazon Web Services, ou AWS, nos dias 1º e 2 de março.

Centros de dados da AWS

Tratam-se de dois centros de dados nos Emirados Árabes, enquanto outra instalação da Amazon no Bahrein também sofreu danos em um terceiro ataque. Concretamente, a computação no EC2 e o armazenamento em nuvem tanto do S3 quanto do DynamoDB começaram a apresentar altas taxas de erro.

A própria Amazon confirmou que “esses ataques causaram danos estruturais, interromperam o fornecimento de energia à nossa infraestrutura e, em alguns casos, exigiram atividades de combate a incêndios”. A empresa afirma que a água danificou parte dos equipamentos e, como consequência, seus clientes devem migrar suas cargas de trabalho para servidores em outras partes do mundo, porque a recuperação “será prolongada”.

Mercado ansioso

Isso, claro, teve impacto no mercado. Se, no segmento de energia e petróleo, é evidente que parar uma planta que “produz” 550.000 barris por dia e interromper uma zona de trânsito pela qual passam 20% do petróleo mundial tem consequências, o fato de os centros de dados também terem se tornado alvo abalou igualmente o mercado.

Cotacoes

As principais empresas relacionadas à IA, aos semicondutores e ao armazenamento sofreram as consequências durante a última segunda/terça/quarta-feira. NVIDIA, Micron, Western Digital, ASML, Applied Materials, SK Hynix ou Samsung registraram queda nas cotações no pior dia dos últimos meses. Não se sabe se será possível continuar transportando componentes no ritmo elevado que tínhamos caso dois dos corredores de navios porta-contêineres mais movimentados do planeta sofram uma alteração no tráfego.

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


A notícia

Irã direciona seus ataques no Ocidente para onde dói: infraestrutura de energia e centros de dados

foi publicada originalmente

Xataka Brasil

por
Victor Bianchin

.

Mostrar mais

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo