Médico dos “Quilos Mortais Brasil” lista o que funciona para emagrecer
Para perder peso, a regra é clara: é preciso ajustar a alimentação, com a menor ingestão de calorias, e praticar atividade física. No entanto, mudar o estilo de vida pode ser um grande desafio, principalmente para pessoas com obesidade.
“Isso ocorre porque, muitas vezes, os pacientes com obesidade estão inseridos em um contexto que desestimula escolhas saudáveis, o chamado ambiente obesogênico. Isso dificulta a adesão e a manutenção de dieta e atividade física”, afirma Marcelo Carneiro, cirurgião bariátrico e do aparelho digestivo e médico do reality Quilos Mortais Brasil, à CNN Brasil.
Hoje em dia, existem diferentes alternativas eficazes para o tratamento da obesidade, como a cirurgia bariátrica e as chamadas canetas emagrecedoras, como o Ozempic, Mounjaro e Wegovy. Mas para entender a indicação de cada um deles, é preciso, primeiro, compreender a complexidade da obesidade.
“Um dos maiores erros é tratar a obesidade apenas como falta de força de vontade. A obesidade é uma doença complexa e, para ser tratada adequadamente, exige estratégia, suporte e estrutura”, afirma Carneiro.
Atualmente, o diagnóstico da obesidade envolve uma análise ampla e criteriosa e vai além do valor do IMC (Índice de Massa Corporal), incluindo a composição corporal, circunferência abdominal, distribuição de gordura corporal e presença de comorbidades associadas, como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, dislipidemia, apneia obstrutiva do sono, doença hepática gordurosa metabólica e possíveis limitações físicas.
“Dessa forma, atualmente entendemos a obesidade como uma doença crônica, multifatorial e metabólica, que vai muito além do simples excesso de peso na balança”, completa o especialista.

A seguir, Carneiro explica o que funciona e o que não é sustentável para a perda de peso. Lembrando que, além da alimentação, manter-se ativo, praticando exercícios físicos ou esportes, também é fundamental para o emagrecimento e manutenção da saúde como um todo.
Jejum intermitente e dietas restritivas não funcionam a longo prazo
Quando o assunto é perder peso de forma rápida, dietas restritivas — como a low carb e a cetogênica — e planos como jejum intermitente ganham força. Isso porque, de fato, esses métodos levam ao emagrecimento, principalmente no início.
“Elas costumam dar resultado inicial porque ajudam a reduzir a quantidade de calorias, diminuem os picos de açúcar e insulina no sangue e, em alguns pacientes, aumentam a sensação de saciedade”, explica Carneiro.
No entanto, a longo prazo, essas dietas não são sustentáveis. “Muitas vezes, elas são difíceis de manter na rotina real, podem levar ao efeito rebote, não tratam a relação do paciente com a comida e podem gerar culpa, compulsão e frustração”, afirma.
Segundo o especialista, a melhor dieta é aquela que a pessoa consegue seguir por anos, com equilíbrio, sem sofrimento e com acompanhamento. “Emagrecer de forma saudável não é sobre restrição extrema, é sobre constância”, reforça.
Canetas emagrecedoras são indicadas para graus leves de obesidade
As canetas emagrecedoras ganharam popularidade nos últimos anos devido à eficácia na perda de peso, além de melhorar perfis cardiometabólicos, como a redução da glicemia, controle da pressão arterial e redução do nível de gordura no fígado — fatores associados à obesidade.
No entanto, elas não são indicadas para todas as pessoas e o uso deve vir acompanhado de orientação médica e nutricional.
“As canetas emagrecedoras são indicadas principalmente para o tratamento do diabetes tipo 2 e para o tratamento de pacientes com sobrepeso ou obesidade leve, especialmente quando esse excesso de peso já está associado a outras doenças, como hipertensão arterial, colesterol elevado e o próprio diabetes”, explica Carneiro.
Esses medicamentos atuam no organismo reduzindo o apetite e aumentando a sensação de saciedade, fazendo com que a pessoa coma menos. Apesar desses benefícios, as medicações podem trazer efeitos adversos, como náuseas, vômitos e alterações intestinais, principalmente no início do tratamento.
“Quando usados sem acompanhamento adequado, podem levar à perda de massa muscular, e não apenas de gordura”, afirma Carneiro. “Eles não são indicados para todas as pessoas, pois existem contraindicações específicas e devem sempre ser prescritos e acompanhados por um médico, com doses e ajustes individualizados.”

Cirurgia bariátrica é recomendada após avaliação multiprofissional
A cirurgia bariátrica também é uma forma de tratamento eficaz para a obesidade, mas, assim como as canetas, não é indicada para todas as pessoas. Apesar disso, após a publicação das novas diretrizes do CFM (Conselho Federal de Medicina), a bariátrica passou a ter indicações mais amplas.
Atualmente, o procedimento é indicado para:
- IMC ≥ 40 kg/m², independentemente de outras doenças;
- IMC entre 35 e 39,9 kg/m², quando há doenças associadas, como diabetes, hipertensão ou apneia do sono;
- IMC entre 30 e 34,9 kg/m², em casos selecionados, especialmente com diabetes tipo 2, fibrose hepática causada por gordura no fígado, problemas articulares associados à obesidade e síndrome metabólica refratária, quando o tratamento clínico não foi suficiente.
“A indicação deve sempre ser individualizada, com avaliação multiprofissional e acompanhamento contínuo”, afirma Carneiro.
Existe, ainda, o balão deglutível, indicado para pessoas com sobrepeso ou obesidade grau 1 que ainda não têm indicação de cirurgia bariátrica. “Nesses casos, ele ajuda na perda inicial de peso, reduz a fome e facilita a mudança de hábitos, sempre com acompanhamento”, explica. O procedimento também é recomendado para pacientes com obesidade grave ou superobesidade, que precisam perder peso antes da cirurgia bariátrica para reduzir riscos.
Suplementos alimentares auxiliam, mas não fazem milagre
O uso de suplementos alimentares e probióticos também tem se popularizado nos últimos anos, tanto entre aqueles que desejam emagrecer, quanto entre aqueles que buscam aumento de massa magra. Porém, eles não são milagrosos e nem devem ser usados como substitutos de refeições.
O papel deles em um tratamento para sobrepeso e obesidade é complementar. “Os probióticos ajudam a melhorar a saúde do intestino, que hoje sabemos estar diretamente ligada ao metabolismo, à inflamação e até ao controle do apetite. Um intestino mais equilibrado pode facilitar a resposta ao tratamento”, explica Carneiro.
Já os suplementos alimentares são úteis principalmente para prevenir ou corrigir deficiências e preservar massa muscular durante a perda de peso. “Proteínas, vitaminas e minerais ajudam o organismo a emagrecer de forma mais saudável, evitando fadiga, queda de desempenho e perda muscular excessiva”, afirma o especialista.
Como superar os desafios para emagrecer? Veja 6 dicas
A seguir, Carneiro elenca dicas para quem deseja emagrecer e lista o que realmente funciona e o que não é eficaz para a perda de peso.
- Estabelecer metas realistas: os objetivos devem ser simples e progressivos, evitando mudanças radicais e insustentáveis;
- Ter acompanhamento multiprofissional: isso inclui médico, nutricionista, psicólogo e educador físico;
- Construir uma rotina simples e sustentável: o dia a dia não precisa ser perfeito e, sim, fazer sentido para sua realidade;
- Dormir bem: ter um sono adequado é um fator frequentemente negligenciado, mas essencial para o controle do peso;
- Tratar compulsão alimentar: os aspectos emocionais relacionados à alimentação devem ser tratados com apoio psicológico e, se necessário, psiquiátrico;
- Criar um ambiente favorável: manter a casa organizada, assim como criar um planejamento alimentar e contar com apoio familiar.
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