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Crítica: Marty Supreme entrega até mais do que promete, mas chega na hora errada

Mesmo antes de sua estreia no Brasil, Marty Supreme já vem criando uma reputação e tanto. A campanha de marketing do longa-metragem foi fervorosa: a entrega de merchandising do filme para diversas figuras famosas, a presença do ator e do diretor na CCXP 25 Brasil, e até a transformação da famosa Sphere, em Las Vegas, em uma bola de tênis de mesa gigante e laranja, com “Marty Supreme – Dream Big” projetado em sua superfície.

Aliás, o investimento na divulgação até faz sentido, considerando que o filme é o mais caro da produtora A24 até agora, com orçamento estimado em US$ 70 milhões. O que também colabora para esse esforço é o fato de Timothée Chalamet ser, além do protagonista, o produtor executivo do longa (algo que os créditos de modo claro logo no início da produção).

Com estreia prevista para o dia 22 de janeiro aqui no Brasil, o filme já rendeu inúmeras indicações ao Globo de Ouro, ao Critics’ Choice Awards e ao The Actor Awards (antigo SAG Awards), sugerindo boas chances para o Oscar 2026. Chalamet é um dos maiores concorrentes de Wagner Moura na corrida pelo Oscar. Quando disputaram o mesmo prêmio no Critics’s Choice Awards, Chalamet acabou levando a melhor, mas ao concorrerem em categorias separadas no último domingo, ambos levaram troféus para casa.

Mas afinal, Marty Supreme é tudo isso? Confira o que o Minha Série achou do filme dirigido por Josh Safdie.

Não é necessariamente o que se espera

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Timothée Chalamet interpreta Marty Mauser no filme.

Que Hollywood ama filmes sobre pessoas focadas em seus objetivos, com falas de impacto e interesses amorosos descartados, nós já sabemos. O filme Marty Supreme segue essa fórmula já conhecida, mas isso não é necessariamente algo ruim. Timothée Chalamet dá vida a um homem arrogante, mimado e… Divertido de assistir. Um grande acerto do filme é o seu toque de comédia absurda, mas vamos falar disso em outro momento deste texto.

O ponto aqui é que, diferentemente de Whiplash ou Cisne Negro, o drama intenso não dita o filme sozinho. Mesmo sendo filmes ótimos e aclamados pela crítica, a possibilidade de ver mais uma história sobre uma pessoa obcecada por seu próprio sucesso me desanimava um pouco, mas Marty Supreme consegue se diferenciar de seus precursores no tema, colaborando para que o filme se destaque.

Safdie, diretor e roteirista de Mart Supreme, acertou em cheio no tom cômico para esse personagem que leva tudo bem a sério.

Ronald Bronstein e Josh Safdie vão para lugares inesperados em sua narrativa, e Chalamet dá conta tranquilamente da missão de interpretar esse personagem impulsivo, que intercala rapidamente entre momentos de racionalidade e sensibilidade. Com um ritmo frenético, as 2 horas e 30 minutos do filme passam voando.

Ainda é um filme de premiações

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O filme passa pelos Estados Unidos, França e Japão.

Filmes costumam trazer personagens inspirados no que o público almeja ser ou no que o público é; dificilmente veremos filmes com protagonistas totalmente fracassados. Assistimos filmes que nos motivam, com protagonistas vitoriosos, ou que nos confortem, com aqueles similares a nós. Marty Mauser é um jovem ambicioso e determinado e é difícil não admirar a sua perseverança ao longo do filme, mesmo que ele seja… Bem… Um babaca.

Wagner Moura poderia interpretar Marty Mause em Marty Supreme, mas Timothée Chalamet não poderia interpretar Armando em O Agente Secreto.

Ainda assim, a confiança do jogador nos mantém presos à tela. Sua língua afiada
e sua segurança (muitas vezes arrogante) excita ao mesmo tempo que irrita. Além disso, Marty Supreme não é daqueles filmes em que você tem que se esforçar muito para entender. A narrativa é cronológica e não deixa quase nada para a subjetividade. O ritmo, como dito anteriormente, é rápido e sem muita enrolação. É, de fato, um filme muito gostável.

Uma comédia que choca

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Timothée Chalamet e Josh Safdie construíram juntos o personagem.

O que pode causar desconforto ao longo da sessão é o humor absurdo do longa. Safdie não teve medo de polemizar com piadas sobre judeus e 2ª guerra e Chalamet as entrega com a frieza e ousadia que Marty exige. É aquele momento em que você se questiona “meu Deus, ele realmente falou isso?” e acaba rindo do absurdo.

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Tyler, The Creator fez a sua estreia em longa-metragem no filme Marty Supreme.

A jornada ambiciosa do personagem faz ele passar por situações inusitadas que acabam tendo um tom cômico também. As cenas dele com Wally, interpretado por Tyler, The Creator, preenchem o cinema e tiraram as risadas mais altas da sessão em que eu estava. O diretor e roteirista acertou em cheio no tom cômico para esse personagem que leva tudo bem a sério.

Marty Supreme vale a pena?

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Odessa A’zion interpreta Rachel, interesse amoroso de Marty.

É improvável que qualquer pessoa vá ao cinema ver Marty Supreme e saia decepcionada com a qualidade do filme. Josh Safdie e Ronald Bronstein escreveram uma história extremamente gostável e não é novidade para ninguém que Timothée Chalamet daria conta do papel. O maior azar do filme é ter sido lançado no mesmo ano que outro filme feito para as premiações: Uma Batalha Após a Outra.

Ambos os filmes possuem qualidades similares, apesar de serem histórias completamente distintas. O elenco estrelado, o humor absurdo ou ácido, a execução impecável do roteiro, está tudo lá! Mas o longa de Paul Thomas Anderson ainda acaba sendo mais grandioso, um pouco mais complexo e refinado. Talvez por isso Marty Supreme deixe de ser o grande vencedor do Oscar 2026.

Quanto à rivalidade com o brasileiro Wagner Moura, ambos são grandes atores em seus respectivos filmes, mas há uma diferença. Wagner Moura poderia interpretar Marty Mause em Marty Supreme, mas Timothée Chalamet não poderia interpretar Armando em O Agente Secreto. Se Chalamet ganhar o prêmio de Melhor Ator na grande premiação, não será injusto e nem desmerecido, mas será previsível e sem graça. A beleza da atuação de Moura está em sua simplicidade, em interpretar uma grande história de forma corriqueira, sem falas de impacto e movimentos bruscos.

Marty Supreme é um filme certeiro. Sem enrolação, com atuações brilhantes de Chalamet, Odessa A’zion, Tyler, The Creator, Gwyneth Paltrow e Kevin O’Leary. Apesar de não ser inovador, o filme compensa em seu tom cômico que surpreende e suas reviravoltas na jornada do protagonista. É um filme que merece ser premiado, mas que deu o azar de concorrer com outros gigantes da temporada.

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