A primeira moto elétrica do mundo com bateria de estado sólido já é uma realidade


A primeira bateria de estado sólido pronta para comercialização já está aqui. E ela estará numa moto elétrica chamada TS Pro, fabricada pela Verge, uma pequena marca finlandesa. Sua promessa é clara e disruptiva: até 600 km de autonomia, um número superior ao de um Tesla Model 3 padrão.
Falar em 600 km de autonomia não é apenas um recorde dentro do ainda jovem mercado de motos elétricas. É um dado que rompe o atual referencial de toda a indústria de motocicletas.
A autonomia média de uma motocicleta de média ou alta cilindrada hoje gira em torno de 300 km, o que significa que, pela primeira vez, uma moto elétrica não apenas iguala, como supera amplamente a combustão em um de seus grandes bastiões. Embora haja bastante letra miúda a ser lida.
Os dados
100% elétrica, a TS Pro da Verge acelera de 0 a 100 km/h em 3,5 segundos e tem um torque de 1.000 Nm. Para dar um pouco de contexto, as motos mais rápidas já fabricadas no mundo mal superam os 100 Nm.
Mas o mais importante não é a potência descomunal, e sim as barreiras que ela rompe.
- 600 km de autonomia
- Peso de “apenas” 235 kg
- Carga rápida em 10 minutos
- Carregador CCS
- Garantia de cinco anos para a bateria
Atualmente, na Europa, não existe nada remotamente parecido com o que a Verge oferece. A moto elétrica de referência é a Zero SR/F Street, com autonomia de 283 km. As demais tentativas de democratizar a moto elétrica, como a Harley com a LiveWire, ficaram em autonomias entre 150 e 250 km.
O preço deve ficar entre 40.000 e mais de 50.000 euros (entre R$ 250 e R$ 315 mil). Não é um valor descabido, considerando que modelos como os da Zero giram em torno de 30.000 euros, com especificações consideravelmente inferiores.
Se você se pergunta “e quanto à manutenção?”, ela é relativamente similar à de um Tesla. A Verge oferecerá um serviço de atendimento remoto para qualquer tipo de dúvida ou problema e, em caso de avaria, contará com um serviço a domicílio para realizar as manutenções necessárias na moto. Segundo a marca, essas motos precisam apenas de uma revisão por ano.
A mudança de paradigma
O “tem metade da autonomia de um diesel” no mundo dos carros se traduzia em “tem metade da autonomia da minha moto” no mundo das duas rodas.
Esta Verge é importante não apenas por introduzir a tecnologia de estado sólido no setor, mas por demonstrar que a moto elétrica pode dobrar a autonomia de suas alternativas a combustão.
No entanto, a Verge enfrentará uma resistência que ignora ficha técnica e números frios: o fato de que o mercado de motos é passional.
- A moto elétrica não decola na Europa, nem sequer na baixa cilindrada.
- Gigantes como a Harley tentaram com a LiveWire: acabaram perdendo 20 milhões de euros e vendendo pouco mais de 10 motos por mês.
- A Kawasaki tentou com sua híbrida por 14.000 euros. Fracassou.
- O perfil do comprador de uma moto acima de 20.000 euros se divide em dois: trail de alta cilindrada para viajar ou superesportiva para entradas pontuais em pista.
- O mundo das motos é o oposto do dos carros: não se busca praticidade, busca-se paixão.
Apesar da incógnita sobre o que vai acontecer com o futuro da moto, a Verge deu um passo de gigante. Uma empresa desconhecida foi a primeira a introduzir as baterias de estado sólido e a demonstrar que a barreira da autonomia não será o menor dos problemas no futuro.
Enquanto isso, gigantes japoneses como a Honda não conseguiram ultrapassar os 130 km de autonomia em sua nova geração de motos elétricas. A chegada da China à Espanha e à Europa está sendo um sucesso avassalador: a primeira fabricante que conseguir oferecer estado sólido a um preço acessível terá todas as vantagens.
Imagem | Verge
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.
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A notícia
A primeira moto elétrica do mundo com bateria de estado sólido já é uma realidade
foi publicada originalmente
Xataka Brasil
por
Victor Bianchin
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