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Brasileira morta na Alemanha será cremada; filhos permanecem em abrigo

A família de Luciana Soares da Silva, pernambucana de 41 anos que morreu na Alemanha após inalar gás vazado de um aquecedor, decidiu cremar o corpo da mulher por falta de recursos para a repatriação, estimada em mais de R$ 100 mil. Os filhos de Luciana, Kauã, de 8 anos, e Maria, de 2 meses, permanecem em um abrigo no país europeu, sob cuidados de terceiros, enquanto a família brasileira tenta acompanhar a situação e garantir a guarda das crianças.

A morte de Luciana ocorreu na madrugada de 15 de dezembro, em Cölbe. Segundo familiares, a mulher estava no térreo da casa onde morava quando o vazamento de gás aconteceu. No andar superior estavam os filhos, o companheiro, de nacionalidade alemã, e o filho dele, de 14 anos. Todos receberam atendimento hospitalar e tiveram alta, mas Luciana não resistiu.

Sem parentes na Alemanha, a família enfrenta dificuldades financeiras e burocráticas. A filha mais velha, Larissa Soares, que retornou ao Brasil após 15 dias no país europeu, afirma que a família não tem condições de custear nem a cremação nem a repatriação dos filhos.

“A gente precisou optar por cremar porque já vai se fazer quase um mês que minha mãe morreu e não conseguimos ter nenhuma informação concreta”, disse Larissa à CNN Brasil.

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Os filhos permanecem no abrigo juntos, mas a família relata angústia pela falta de contato direto.

“Falam que as crianças estão bem e que continuam na mesma casa, acolhidas por uma família que cuida delas. Elas vão ao médico, estão brincando e se alimentando, mas a gente não conseguiu vê-las. Já faz quase um mês e só conseguimos informações por terceiros, então não sabemos como elas estão de fato”, explicou Larissa.

A bebê Maria, de dois meses, ainda não tem reconhecido oficialmente o vínculo legal com o pai alemão, o que pode gerar entraves legais para a tutela e eventual retorno ao Brasil. Larissa afirma que a situação tem causado sofrimento intenso à família.

“Não conseguimos dormir, trabalhar ou viver com essa dor”, relatou.

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Segundo Larissa, o corpo de Luciana segue no Instituto Médico-Legal local e a certidão de óbito ainda não foi emitida. Além disso, a família precisa contratar advogado na Alemanha para tentar agilizar os processos relacionados à guarda das crianças, o que aumenta ainda mais os custos do caso.

O Consulado do Brasil em Frankfurt acompanha a situação e presta assistência à família, mas os parentes afirmam que o andamento do processo é lento. Larissa faz um apelo às autoridades brasileiras para agilizar os trâmites e permitir que os filhos retornem ao Brasil, além de viabilizar um velório digno para a mãe.

A CNN Brasil solicitou um posicionamento ao Ministério das Relações Exteriores sobre o caso e aguarda retorno.

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