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Aposta precoce de gestor na Venezuela rende ganho de 30% em 2 dias

Quando Lee Robinson lançou um hedge fund focado exclusivamente na Venezuela, há mais de cinco anos, fez uma previsão ousada: os preços dos títulos ligados ao país latino-americano poderiam se multiplicar por dez. Essa aposta começa agora a se mostrar acertada.

O diretor de investimentos da Altana Wealth, com sede em Londres, conduziu o fundo a ganhos estimados de até 30% nos primeiros pregões de 2026, segundo pessoas com conhecimento do assunto. O Altana Credit Opportunities Fund teve ganho estimado de 66% no ano passado, disseram as fontes, que pediram anonimato porque os dados são privados.

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Títulos em default emitidos pela Venezuela e por sua estatal de petróleo, a PDVSA, dispararam nesta semana, registrando os maiores ganhos desde 2023, após a prisão do presidente Nicolás Maduro nos Estados Unidos. O movimento levou os papéis a mais de 40 centavos de dólar, o dobro do nível de seis meses atrás, embora ainda abaixo do que investidores veem como um possível valor de recuperação caso o país avance para uma reestruturação de suas dívidas.

Os bonds soberanos em dólar com vencimento em 2027 eram negociados a 6,25 centavos quando Robinson divulgou pela primeira vez, em 2020, os planos de lançar o hedge fund dedicado. Em entrevista à Bloomberg, ele disse que os títulos ainda oferecem uma oportunidade assimétrica de negociação.

“O risco de queda diminuiu. Esses bonds provavelmente são uma compra melhor hoje a 40 (centavos de dólar) do que eram a 30 dois dias úteis atrás”, afirmou Robinson. “Do ponto de vista do detentor do título, foi quase uma solução maravilhosa.”

Aos preços atuais, o mercado assume que a Venezuela pagará apenas 22% do valor devido nos papéis, escreveu ele aos clientes em uma carta separada vista pela Bloomberg. Incluindo juros em atraso, os títulos valem, em média, 182 centavos, e a gestora espera uma reestruturação final em torno de 80 centavos, aproximadamente metade do principal somado aos juros acumulados.

Robinson, que já trabalhou para o bilionário dos hedge funds Paul Tudor Jones, tem histórico em apostas oportunísticas e em dívida estressada. Ele apostou contra o mercado imobiliário em 2008 e lançou um fundo de moedas digitais em 2014. O Altana Credit Opportunities Fund, atualmente concentrado na Venezuela, administrava cerca de US$ 150 milhões no fim de novembro, segundo um documento para investidores.

Mais traders vêm comprando dívida venezuelana nos últimos meses à medida que o presidente dos EUA, Donald Trump, aumentou a pressão sobre Maduro, no poder desde 2013. A detenção do presidente neste fim de semana, seguida da afirmação de Trump de que os EUA irão “administrar” temporariamente a Venezuela e reivindicar suas vastas reservas de petróleo, surpreendeu tanto traders quanto líderes mundiais. O episódio rendeu lucros elevados a alguns hedge funds.

Outros vencedores

Entre os ganhadores está o hedge fund macro focado em mercados emergentes Broad Reach Investment Management, de Bradley Wickens. O fundo Broad Reach Master, de US$ 1,5 bilhão, acumula alta superior a 5% neste ano, após ganho de 12% em 2025. O avanço se deve em grande parte às apostas na Venezuela, iniciadas no fim de 2024 com a provável eleição de Trump, disse Wickens.

O gestor de portfólio Ben Cleary, cujo fundo feeder Tribeca Global Natural Resources teve retorno estimado de 127% no ano passado, está enviando nesta semana uma equipe de investidores a Caracas para se reunir com potenciais parceiros e avaliar ativos. Outros, como o hedge fund Canaima Capital Management e a Frontier Road Ltd., de Martin Bercetche, também estão envolvidos em operações com bonds soberanos, segundo a Bloomberg.

As ações da Ashmore Group Plc, especializada em mercados emergentes e conhecida há anos como grande investidora em títulos venezuelanos, saltaram até 14% na segunda-feira, o maior ganho intradiário da companhia listada em Londres em mais de três anos.

A gestora afirmou, em nota a investidores, que espera que os bonds soberanos da Venezuela e a dívida da PDVSA “se valorizem significativamente no curto prazo”. Acrescentou que o “envolvimento contínuo dos EUA” pode elevar as chances de “normalização político-econômica”, abrindo caminho para uma reestruturação da dívida.

A Aberdeen Group Plc também tem exposição a dívida soberana venezuelana e da PDVSA por meio de diversas estratégias. “O valor de recuperação dos bonds tende a ser consideravelmente maior do que os preços atuais, dado o potencial de alta com a adição de um instrumento atrelado ao petróleo”, afirmou Anthony Simond, diretor de investimentos da gestora escocesa, ressaltando que a Venezuela tem as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo.

O gestor da Altana, Robinson, defende há anos que a reconstrução da economia rica em petróleo da Venezuela atrairá grandes volumes de capital, criando um ganho assimétrico para detentores de dívida soberana e corporativa. O PIB do país tende a ser muito maior em cinco anos, tornando a dívida administrável ao longo do tempo, enquanto novos aportes de investidores americanos devem depender de incentivos como warrants atrelados ao petróleo ou ao PIB, que costumam ter melhor desempenho do que dívida tradicional.

“Há muito em jogo”, disse Robinson na entrevista. “Se você recebe warrants de petróleo além de nova dívida, o retorno é muito melhor.”

©️2026 Bloomberg L.P.

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