Cosan (CSAN3): o que esperar da holding após resultados e reestruturação?
Após a Cosan (CSAN3) divulgar seus resultados trimestrais na semana passada, o Goldman Sachs atualizou suas expectativas para ação, reiterando recomendação neutra e preço-alvo de R$ 5,80. Às 12h32 (horário de Brasília), as ações da companhia subiam 3,67%, cotadas a R$ 5,93.
O banco destaca que a Cosan vem passando por um processo de reestruturação nos últimos anos, com a venda de ativos considerados não essenciais pela administração — incluindo a alienação da participação na Vale (VALE3) — e maior foco na redução da dívida no nível da holding. No ano passado, o grupo realizou com sucesso um aumento de capital de R$ 10,5 bilhões, ancorado por novos acionistas estratégicos, o que reduziu significativamente a pressão sobre o balanço.
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Após essas ações corporativas, o Goldman Sachs projeta que o indicador DSCR (relação entre dividendos recebidos pela holding e pagamento de juros) supere 1,5 vez em 2026, ante cerca de 1 vez em 2025, nível considerado saudável.
Agora, dois anos após o início desse processo, novos eventos voltaram a colocar o grupo no centro das discussões entre investidores. Entre os fatores estão o anúncio recente do plano de reestruturação financeira da Raízen (RAIZ4), notícias sobre uma possível venda da participação da Cosan na Rumo (RAIL3) e a possibilidade de um IPO (oferta pública inicial) da Compass no curto prazo.
Nesse contexto, investidores têm questionado quais são as perspectivas para o grupo e se o momento atual representa uma oportunidade para considerar posição na Cosan.
Relação risco-retorno equilibrada
Embora veja mérito na estratégia de desalavancagem do grupo e reconheça avanços relevantes na gestão de passivos, o banco observa que a Cosan negocia com desconto de holding de cerca de 17%. Na avaliação do Goldman Sachs, esse nível reflete um equilíbrio entre risco e retorno, já que o desconto é inferior ao observado em outras holdings da região.
Para comparação, a Itaúsa (ITSA4), holding que controla Itaú (ITUB4), negocia com desconto de cerca de 22% em relação ao valor patrimonial líquido estimado pelo banco, enquanto a mexicana Grupo México opera com desconto de 42%.
O Goldman Sachs ressalta ainda que suas estimativas incorporam a atual participação de 44% da Cosan na Raízen, avaliada em R$ 2,1 bilhões com base no valor de mercado atual da companhia. Um eventual processo de conversão de dívida em capital no âmbito da reorganização extrajudicial da Raízen poderia gerar diluição para os acionistas atuais, o que potencialmente reduziria ainda mais o desconto da holding.
Possíveis catalisadores para a ação
O Goldman Sachs destaca que o desempenho das ações da Cosan tende a ter correlação com o nível das taxas de juros no Brasil. O país terá eleições presidenciais em outubro de 2026 e, embora o banco não tenha posição sobre o resultado do pleito, uma eventual mudança para uma administração vista como mais favorável ao mercado poderia ser bem recebida pelos investidores e contribuir para queda dos juros, o que seria positivo para a Cosan.
Além disso, a administração reiterou o plano de continuar reduzindo a dívida no nível da holding — que somava cerca de R$ 10 bilhões no quarto trimestre de 2025 — o que pode implicar novas vendas de ativos. Qualquer transação realizada acima das estimativas do banco poderia gerar revisão positiva das projeções.
Avaliação por partes
A metodologia de avaliação do banco utiliza a abordagem SOTP (soma das partes), considerando o valor justo estimado das participações da Cosan em Compass e Moove Lubricants Holdings, além dos valores de mercado de Raízen e Rumo. Do total é descontada a dívida líquida no nível da holding, incluindo custos de recompra de dívidas e instrumentos financeiros, assumindo um desconto de holding de 20%.
O banco estima valor justo de R$ 22,5 bilhões para 100% da Compass Gás e Energia, considerando projeções de 12 meses à frente e distribuição de dividendos de cerca de R$ 1,5 bilhão em 2026. Grande parte do valor está concentrada na Comgás, distribuidora regulada de gás em São Paulo. A Cosan já protocolou pedido para realizar um IPO e potencial oferta secundária da Compass. Uma eventual operação poderia reduzir a alavancagem da holding e aumentar a visibilidade sobre o valor do ativo.
A Raízen protocolou recentemente pedido de reestruturação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 65 bilhões em dívida bruta. O plano pode incluir aporte de capital pelos acionistas e conversão de dívida em ações. Segundo o Goldman Sachs, caso haja aumento de capital sem participação da Cosan — como indicado pela administração — e conversão de dívida em capital, a participação da Cosan, hoje em 44%, pode ser diluída.
Embora os volumes transportados tenham sido fortes nos últimos meses, o Goldman Sachs vê incerteza em relação à precificação nos próximos trimestres e espaço limitado para expansão do EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) em 2026, projetando crescimento de cerca de 3% na comparação anual. A ação também não parece particularmente barata, negociando a cerca de 6,6 vezes EV/EBITDA (Valor da Firma sobre EBITDA) projetado para 2026.
As operações da Moove foram impactadas por um incêndio em uma das principais plantas no Brasil. Desde então, a empresa conseguiu manter volumes razoáveis de vendas, mas com margens mais baixas, possivelmente devido ao maior uso de produtos adquiridos de terceiros. O banco espera recuperação gradual da rentabilidade ao longo de 2026, embora ainda haja incertezas sobre o CAPEX necessário para reconstrução da planta e o prazo de normalização das operações.
A administração da Cosan já indicou que pode considerar a venda da Radar. O Goldman Sachs avalia o ativo em R$ 5,5 bilhões com base na última avaliação do quarto trimestre de 2025. Uma eventual venda poderia permitir redução de cerca de R$ 800 milhões nas despesas com juros, valor superior aos dividendos estimados atualmente em cerca de R$ 150 milhões por ano provenientes do negócio.
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