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Hypera sobe após sinais de melhora nos resultados do 4T e aposta em semaglutida

A ⁠Hypera (HYPE3) registrou lucro ⁠líquido de operações continuadas de cerca ‌de R$ 450 milhões no quarto trimestre, ligeiramente acima do esperado pelo mercado. Às 12h18 (horário de Brasília), as ações da farmacêutica subiam 2,44%, a R$ 21,86.

O Itaú BBA disse que os resultados vieram dentro do esperado, mas com tendências de melhora. O crescimento de 7% no sell-out reportado no trimestre ficou, de forma geral, em linha com as expectativas. Na avaliação do banco, os investidores agora estão atentos aos primeiros sinais de desempenho do sell-out no 1º trimestre de 2026.

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Além disso, o banco observou uma redução sólida da dívida líquida de R$ 180 milhões na comparação trimestral, quando ajustada pelos juros sobre capital próprio distribuídos no período.

Com resultados amplamente antecipados pelo mercado e a ação negociando a cerca de 9 vezes o lucro estimado para 2026 (P/L), considerando o lucro líquido reportado, o Itaú BBA avalia que quaisquer sinais iniciais de melhora no ritmo de sell-out no começo do ano podem desencadear uma reação positiva do mercado.

O Goldman Sachs também avaliou que os resultados da Hypera ficaram em linha com as expectativas do mercado. O EBITDA do 4T25 somou R$ 748 milhões, superando levemente em 1,5% as estimativas do banco. Como já era esperado, a companhia registrou uma leve desaceleração no crescimento do sell-out no varejo, que avançou 7,4% na comparação anual no 4T25, em linha com a projeção do Goldman e abaixo dos 8,3% registrados no 3T25.

Apesar da desaceleração, o Goldman Sachs destaca que a empresa ganhou participação de mercado, impulsionada por lançamentos recentes de produtos e pelo bom desempenho de algumas categorias, como medicamentos para gripe, gastro, cardiovascular e cuidados com a pele.

O fluxo de caixa livre (FCF) foi positivo em R$ 497 milhões, alta de 15% em relação ao ano anterior, beneficiado pelo efeito remanescente da conclusão do processo de ajuste de capital de giro da companhia.

O JPMorgan avaliou que os resultados indicam uma normalização do desempenho operacional após o processo de otimização de canais.

Na avaliação do JPMorgan, as tendências operacionais da Hypera Pharma seguem positivas, apoiadas principalmente pela melhora da margem bruta, que já se aproxima dos níveis observados em 2022 e 2023, período anterior ao processo de otimização de canais.

O banco também destaca ganhos de eficiência nas despesas operacionais, com redução das despesas administrativas dentro da linha de SG&A, além de um desempenho de sell-out novamente superior ao do mercado endereçável, sinalizando que a redução estrutural dos estoques nos canais de distribuição não tem comprometido o crescimento sustentável da companhia.

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Já o Bradesco BBI considerou neutro os resultados da companhia, com EBITDA em linha com as estimativas do banco e lucro líquido 7% acima, refletindo um desempenho financeiro mais favorável.

Segundo o BTG, os números vieram amplamente em linha com as estimativas, com crescimento de sell-out entre 7% e 8% e forte avanço anual nos resultados, favorecido por uma base de comparação mais fraca, já que o programa de otimização de capital de giro já estava em andamento no quarto trimestre de 2024.

Para Morgan Stanley, os resultados da Hypera reforçam a visão de que as pressões ligadas ao ajuste de capital de giro ficaram para trás e que a companhia voltou a operar em bases mais normalizadas.

Segundo o banco, o 4T25 trouxe novas evidências de que a Hypera superou as distorções relacionadas ao processo de otimização do capital de giro. Em comparação com as estimativas do Morgan Stanley, o trimestre foi marcado principalmente por margem bruta mais forte e melhor conversão para o resultado final.

Semaglutida como avenida de crescimento

Executivos da Hypera Pharma destacaram, durante a teleconferência de resultados, que a semaglutida desponta como uma das principais oportunidades de crescimento para a companhia nos próximos anos. Segundo o presidente da farmacêutica, a patente do medicamento expira na próxima sexta-feira, mas ainda não houve autorização da Anvisa para o lançamento de novos produtos baseados na molécula.

De acordo com o executivo, a semaglutida é a principal aposta estratégica da empresa para 2026, e a queda de patentes de medicamentos relevantes deve impulsionar o mercado farmacêutico nos próximos meses. Nesse cenário, a companhia vê potencial relevante de aceleração nas vendas à medida que novos produtos forem introduzidos no mercado.

Em relação ao desempenho mais recente, a Hypera afirmou que o ritmo de crescimento do sell-out no primeiro trimestre de 2026 está “em torno” do observado no quarto trimestre de 2025, indicando continuidade da tendência de expansão das vendas no varejo.

O diretor financeiro também indicou que a empresa enxerga espaço para uma leve redução no nível de descontos ao longo de 2026, movimento semelhante ao observado no quarto trimestre, o que pode ajudar na sustentação das margens. A expectativa é que a margem EBITDA em 2026 fique próxima do nível de 33,6% registrado nos primeiros nove meses de 2025.

No front financeiro, a companhia reiterou o plano de reduzir a alavancagem para cerca de 1,5 vez dívida líquida/EBITDA, meta que, segundo a administração, deve ser alcançada em aproximadamente dois anos. O CFO acrescentou ainda que os investimentos da empresa devem cair de forma significativa a partir de 2027, após o ciclo atual de expansão.

Recomendação de compra

Diante desse cenário, o Morgan Stanley manteve recomendação overweight (equivalente a compra) para a companhia, destacando que a Hypera combina agora operações normalizadas, maior disciplina na conversão de caixa e uma avaliação ainda considerada pouco exigente.

O JPMorgan também reiterou recomendação Overweight para as ações e preço-alvo de R$ 33. O BBA e BBI mantiveram recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra) e preço-alvo de R$ 33 e R$ 28, nesta ordem.

Já o Goldman Sachs e o BTG mantiveram recomendação neutra e preço-alvo de, respectivamente, R$ 24,75 e R$ 27.

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