A ciência explica o grande paradoxo da guerra: por que o Japão sobreviveu à bomba, mas a Ucrânia perdeu Chernobyl


A comparação entre o bombardeio atômico de Hiroshima e o desastre de Chernobyl frequentemente gera questionamentos. Enquanto a cidade japonesa foi totalmente reconstruída e hoje abriga mais de um milhão de habitantes, a área ao redor da usina ucraniana permanece dentro de uma zona de exclusão inabitável, mesmo após quase quatro décadas do acidente.
Apesar de ambos serem desastres nucleares, as diferenças na quantidade de material radioativo liberado, na forma como ele foi disperso e nos tipos de elementos envolvidos trouxeram desfechos completamente distintos para as duas tragédias.
Quantidade de material radioativo envolvido
A primeira diferença está na escala do material nuclear presente em cada caso. A bomba “Little Boy”, lançada sobre Hiroshima em 1945, continha cerca de 64 quilos de urânio, mas apenas uma pequena parte desse material participou da reação nuclear que provocou a explosão.
Em Chernobyl, o reator número 4 da usina abrigava cerca de 180 toneladas de combustível nuclear, e estimativas indicam que aproximadamente sete toneladas de material físsil foram lançadas na atmosfera após a explosão.
Como a radiação foi dispersa no ambiente
Outro fator que difere os desastres é a maneira como a radiação se espalhou no ambiente. Em Hiroshima, a bomba explodiu ainda no ar, em cerca de 580 metros de altitude. Isso fez grande parte das partículas radioativas serem levadas pelas correntes de ar antes de alcançar o solo. Essa dispersão reduziu a concentração de resíduos radioativos depositados na superfície da cidade.
Em Chernobyl, o desastre aconteceu de forma diferente. A explosão ocorreu no nível do solo, destruindo o reator e provocando um incêndio que durou cerca de dez dias. Durante esse período, a liberação de material radioativo permitiu que partículas contaminantes penetrassem no solo, atingindo lençóis freáticos e contaminando o ecossistema de forma profunda.
O tipo de elementos radioativos liberados
O tempo necessário para que um ambiente se torne novamente seguro também depende da meia-vida dos elementos radioativos presentes.
A explosão de Hiroshima produziu principalmente isótopos de vida curta, que diminuem rapidamente a radioatividade. Em poucas semanas, os níveis de radiação já tinham caído de forma significativa. Por isso foi possível que a reconstrução da cidade começasse nos anos seguintes.
Já em Chernobyl foram liberadas grandes quantidades de césio-137 e estrôncio-90, elementos com meia-vida aproximada de 30 anos. Além disso, os resíduos de plutônio permanecem ativos por períodos muito mais longos, podendo apresentar risco por séculos.
Por causa dessa combinação de fatores, a região de Chernobyl continua sendo considerada insegura para ocupação, enquanto Hiroshima se transformou em símbolo de reconstrução pós-guerra.
Foto de capa: Ilja Nedilko/Unsplash
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A ciência explica o grande paradoxo da guerra: por que o Japão sobreviveu à bomba, mas a Ucrânia perdeu Chernobyl
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Xataka Brasil
por
Natália P. Martins
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