Esqueça os médicos e advogados: bancos elegeram os novos donos do crédito fácil e eles trabalham com TI


Durante décadas, médicos e advogados ocuparam o topo da cadeia quando o assunto era acesso facilitado a crédito. Esse cenário, no entanto, vem mudando rapidamente no Brasil. Um novo levantamento da Serasa Experian revela que os profissionais de tecnologia da informação passaram a ocupar esse espaço de protagonismo, reunindo renda elevada, boa reputação financeira e comportamento de consumo altamente digitalizado.
Segundo a datatech, 195,9 mil brasileiros estão classificados como profissionais de TI e infraestrutura em sua base proprietária de dados. Dentro desse grupo, 32% possuem renda mensal acima de R$ 10 mil, um patamar que ajuda a explicar por que esse público se tornou tão atraente para bancos, fintechs e empresas de serviços financeiros. O dado dialoga diretamente com o mercado formal: entre janeiro e outubro de 2025, o CAGED registrou um estoque mensal de 648.971 vínculos empregatícios ativos em atividades de serviços de tecnologia da informação.
Para Fernanda Guglielmi, gerente de RH da Serasa Experian, os números confirmam que a área deixou de ser uma aposta de nicho. “A tecnologia da informação se consolidou como uma alternativa relevante de carreira no Brasil, atraindo profissionais em diferentes estágios, desde quem está iniciando até perfis mais experientes. Ao mesmo tempo, são profissionais estratégicos para as organizações”, afirma.
Quando o foco se volta para capacidade de pagamento, o cenário reforça essa leitura. De acordo com o estudo, 22,8% dos profissionais de TI apresentam potencial superior a R$ 5 mil, enquanto 32% têm capacidade de até R$ 1 mil, mostrando uma distribuição ampla, mas com forte concentração em faixas consideradas atraentes para o mercado de crédito.
O perfil demográfico também ajuda a entender esse apetite das instituições financeiras. A maioria está em plena fase produtiva da carreira: 37,5% têm entre 29 e 38 anos, e 34% estão na faixa de 39 a 48 anos. O recorte de gênero aponta predominância masculina, com 79,4% de homens e 19,8% de mulheres.
No comportamento de consumo, os números impressionam. Cerca de 93,6% dos profissionais de TI demonstram afinidade com compras online, além de forte adesão a streaming, marketplaces e fintechs. Não por acaso, mais de 63% desse público possui score de crédito acima de 600. Dentro desse grupo, 32,3% atingem a faixa de excelência, entre 801 e 1000 pontos — mais que o dobro da média nacional.
Para bancos e empresas de tecnologia financeira, o novo dono do crédito fácil entende de código, não de jaleco ou tribunal.
Crédito de imagem: Xataka Brasil
–
A notícia
Esqueça os médicos e advogados: bancos elegeram os novos donos do crédito fácil e eles trabalham com TI
foi publicada originalmente
Xataka Brasil
por
João Paes
.

