Tecnologia

Guerra contra roedores? Drones entram em ação para combater ratos invasores nas Ilhas Marquesas

Guerra contra roedores? Drones entram em ação para combater ratos invasores nas Ilhas Marquesas

Os drones estão fazendo um grande estrago no conflito entre Ucrânia e Rússia, arremessando bombas, identificando alvos e fornecendo localização em tempo real. Agora, essa tecnologia foi parar em um outro tipo de guerra, mas dessa vez, contra um inimigo que você nem imagina: os ratos. Em Ua Pou, uma ilha vulcânica nas Ilhas Marquesas, drones passaram a ser usados para combater ratos invasores que ameaçam ecossistemas marinhos.

Os drones são usados para espalhar isca em áreas inacessíveis da ilha, mas o que mais chama atenção é a logística da operação. Os equipamentos decolam a partir de um barco, com voos coordenados por um centro de comando móvel instalado em uma balsa, onde equipes técnicas acompanham a distribuição da isca em tempo real. 

A estratégia busca proteger aves marinhas e outras espécies nativas em regiões de difícil acesso, reduzindo a necessidade de intervenção humana direta em regiões instáveis. A operação é liderada pela Island Conservation, organização especializada na erradicação de espécies invasoras em ilhas, e coordenada em campo por Baudouin des Monstiers, gerente de projetos da entidade. 

Drones contra roedores: entenda como funciona a nova estratégia de controle

A operação em Ua Pou representa um avanço tecnológico significativo na forma como ações de conservação são executadas em ilhas isoladas. Isso porque, ao invés de equipes se deslocarem a pé por terrenos íngremes e perigosos para executar ações de proteção à biodiversidade, os drones decolam diretamente de um barco ancorado próximo à ilha.

Essa nova tática, que combina mobilidade e precisão, permitiu que a isca fosse distribuída em pontos estratégicos da ilha, inclusive em áreas onde o desembarque humano é considerado altamente arriscado. Com isso, o equipamento reduz a exposição de equipes a regiões perigosas, além de ampliar a cobertura da operação.

Mas como a ação funciona na prática? Os drones seguem rotas programadas e liberam a isca de forma controlada, alcançando locais considerados inacessíveis. A proposta é justamente chegar onde as pessoas não conseguem,  com mais eficiência e menos risco.

Ratos viraram um problema grave na conservação do ecossistema, mas a solução encontrada divide opiniões

Rato na floresta.

Ratos invasores se alimentam de ovos e filhotes de aves marinhas nas ilhas, comprometendo a reprodução de espécies nativas e desequilibrando ecossistemas que levaram milhares de anos para se formar. Créditos: ShutterStock

As ilhas concentram algumas das espécies mais vulneráveis do mundo. Muitas aves marinhas, por exemplo, dependem de ninhos no solo para se reproduzir. O mesmo vale para outras espécies terrestres que habitam a região. Porém, quando ratos e camundongos invasores chegam a esses ambientes, o impacto pode ser muito pior do que você imagina. Isso porque ovos e filhotes viram alvos fáceis, comprometendo a reprodução desses animais de forma rápida e devastadora

Dessa forma, a queda das populações de certas espécies tende a passar despercebido até atingir um ponto crítico, quando as opções de intervenção se tornam mais limitadas e incluem estratégias mais agressivas de controle.

Ainda assim, o uso de drones no lançamento de iscas recebe críticas de especialistas. Isso porque o uso dessas iscas podem afetar espécies que não são o alvo da operação. Além disso, o avanço tecnológico aumenta a pressão por respostas rápidas, mesmo em ecossistemas frágeis, onde um erro pode ter consequências difíceis de reverter.

Apesar disso, a experiência em Ua Pou tende a influenciar outras ações semelhantes ao redor do mundo. Isso porque muitas ilhas enfrentam exatamente o mesmo desafio, e os ratos continuam entre as principais causas de colapso reprodutivo de aves marinhas. Ainda assim, especialistas ressaltam que cada operação exige planejamento rigoroso, monitoramento contínuo e avaliação de riscos, já que o mesmo instrumento capaz de acelerar a recuperação de um ecossistema também pode causar danos difíceis de reverter.


A notícia

Guerra contra roedores? Drones entram em ação para combater ratos invasores nas Ilhas Marquesas

foi publicada originalmente

Xataka Brasil

por
Laura Vieira

.

Mostrar mais

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo